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© 2019 por FuscaPoços -  (ô.\_!_/.ô) 

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Histórias dos nossos queridos VWs....

Se os Fuscas pudessem falar, com certeza seriam os maiores - e melhores - contadores de histórias de todos os tempos...!!!!

Incrível como todo proprietário - sem exceções - tem inúmeros casos e causos... sejam eles inusitados, divertidos... e claro muito deliciosos para se contar.... alguns são inacreditáveis...!!!

Então... o FuscaPoços traz alguns destes casos e causos em nossa página para que possa se divertir..

 

"Uma mulher dormindo no Fusca"
Autora: David Coimbra
História publicada no Blog do Coimbra http://wp.clicrbs.com.br
 
Uma mulher acabou com a nossa turma, uma vez. Éramos amigos de infância, saíamos todas as semanas, tínhamos um time de futsal. Bom time, bem entrosado, custava a perder. Afinal, nos conhecíamos desde os tempos do gude, do boco, do polícia-ladrão. Aos sábados, íamos jogar bola nas quadras do Dom Bosco, depois tomávamos Faixa Azul no armazém do Seu Zequinha, bem ali onde hoje é a borracharia do Brazinha, e só mais tarde é que íamos para a esbórnia.

Era sempre assim, e era bom.

Mas um dia um dos amigos começou a namorar com aquela mina. Não era bonita, mas também não era feia. Não era magra, tampouco gorda. Nem alta, nem baixa. Em tudo tratava-se de uma média.

Primeiro, ela passou a frequentar a última etapa do sábado, a finaleira, os bares da boemia. Era divertida, bebia bem, entrosou-se facilmente com o pessoal. Passadas algumas semanas, ela apareceu no fim do jogo e desceu conosco o morro do Alim Pedro até a sordidez do armazém do Seu Zequinha. No princípio achamos estranho: bebíamos suados, de calção e camisa de time, esparramados nas cadeirinhas de metal, e só falávamos das nossas façanhas no jogo que havia terminado e das que planejávamos para a noite que ia começar. Aos poucos, porém, fomos nos acostumando com a presença dela, até porque ela parecia não se escandalizar com nenhuma das escatologias que dizíamos e ria das nossas piadas.

Uma tarde, enfim, ela chegou ao Dom Bosco num Fusca, o nosso amigo ao lado. Alguém brincou:

– Reforço pro time?

Ela riu:

– Só vou assistir.

Não assistiu. Ficou no Fusca, dormindo. Nos outros sábados, a mesma coisa. Ela chegava com o nosso amigo e não saía do Fusca. O Fusca permanecia estacionado à margem da quadra, ela no banco da frente, a cabeça jogada para trás, a nuca apoiada no encosto, a boca aberta, roncando. Por que ficava dormindo naquele Fusca? Tinha algum propósito premeditado? Sabia o que estava fazendo?

Decerto que sabia, porque a cada sábado o nosso amigo parecia mais constrangido. Só que, curiosamente, não se constrangia com ela; constrangia-se conosco. E, em vez de pedir que ela não fosse mais assistir aos jogos, desistiu ele de ir. Perdemos um eficiente ala pela direita.

Eles continuaram frequentando a turma nos bares da noite, só que ela aparecia sempre de mau humor, seu estado de espírito influenciava todo mundo, a mesa ficava tensa, as madrugadas terminavam em discussão. A turma se desfez. O time se desfez. Por causa de uma mulher.

As mulheres são assim, ou pelo menos algumas delas: se realizam quando conseguem fazer um homem desistir do que lhe é mais caro. É um troféu para elas. Uma realização. Uma prova do quanto elas são importantes.

Uma mulher acabou com os Beatles; uma mulher, ao acabar com Mike Tyson, acabou com o boxe internacional; uma acabou com a nossa turma. Cristo, por que as mulheres são assim???

 

"Fusca no Atoleiro"
Autor: Olimpio Rosso
História publicada no site http://jornaldacanastra.com.br/
 
"Causos" de Bambuí: Fusca no atoleiro

Numa determinada ocasião eu (Olímpio Rosso) e o compadre Alvino visitávamos várias cidades do Centro Oeste de Minas e terminamos nosso trajeto em Bambuí onde pernoitaríamos. 
Era mais uma oportunidade de rever o grande amigo Pe. Rafael. 
Nem bem chegamos, ele já foi dizendo para guardar o carro porque queria que fôssemos com ele a umas comunidades rurais onde estavam programadas duas celebrações de Missas.

O tempo estava meio escuro e anunciava chuvas. 
Mesmo assim não foi o motivo para cancelar os compromissos. 
Saímos com o Pe. Rafael e D. Regina, uma senha idosa muito amiga do padre, isso por volta das quatorze horas, mais ou menos as quinze chegamos ao local e a chuva não parava. 
A missa aconteceu às dezesseis horas e apesar da chuva tinha bom número de participantes. 
Por isso foi celebrada numa varanda que tinha mais espaço.

Terminada a celebração ele marcou a próxima. 
Depois vieram as despedidas com abraços, apertos de mãos calorosos daquele povo simples e hospitaleiro que realmente estimavam esse legítimo discípulo de São Vicente de Paulo.

De lá partimos para o outro compromisso, com chuva e tudo. 
O velho fusca começou a patinar em alguns lugares, mesmo assim a alegria permanecia entre seus ocupantes. Tudo era motivo para achar graça mesmo com aquele barro e tudo. 
Teve momentos que foi preciso descer e empurrar o ‘possante’, mais a viagem continuava.

Claro que chegamos atrasados, já eram quase dezoito e trinta horas. 
A chuva deu tempo parece que queria colaborar. 
A missa foi celebrada, antes o Pe. Rafael, como costumeiramente fazia, atendeu confissões. 
Após a missa fomos convidados para o jantar. 
Conversa vai, conversa vem, a noite chegou e com ela a chuva voltou.

Tínhamos notado que a bateria do fusca não estava muito legal, mas mesmo assim seguimos a viagem de volta era mais ou menos vinte horas.

Foram muitas as vezes que empurramos o velho carro, a luz já estava enfraquecendo, de repente ele atolou até o eixo, isto bem próximo de uma casa.

Só nós, não éramos o suficiente para tirar o carro dali. 
Apagamos a luz para tentar economizar o resto da carga da bateria. 
Naquela escuridão Pe. Rafael disse:

-“Ainda bem que ali naquela casa deve ter alguém para nos ajudar!”.

Saímos em direção a casa praticamente sem enxergar nada, enquanto Dona Regina ficou no carro. 
Foi aí que o padre gritou:

-“Ô de casa, tem alguém aí?”
Repetiu umas três vezes e nada!
De repente alguém abrindo lentamente a porta responde:
-“Quem é que está aí?”
-“Sou eu, o Padre Rafael.”
-“Espere um pouco.” Foi a resposta
Aí foi a surpresa. Uma luz de

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lampião acendeu e um senhor de idade avançada veio em nossa direção caminhando bem devagar. Numa das mãos ele trazia o lampião e na outra uma espingarda...
-“É o senhor, padre! Desculpa-me, mas estou só com a minha velha aqui em casa, e o senhor sabe, anda acontecendo tanta coisa! Por isso vim prevenido! Entre, vamos tomar um café. 
Daqui a pouco meus netos vão chegar e irão lhe ajudar!”
Não demorou uns 15 minutos, chegaram dois rapazes e nos ajudaram a tirar o fusca do atoleiro. 
Finalmente parou de chover, agradecemos e continuamos a viagem de retorno.

Detalhe: onde a estrada não tinha curva, Pe. Rafael a conhecia muito bem, ele desligava os faróis para economizar o resto da carga da bateria e assim chegamos a Bambuí com calçados e roupas totalmente embarreados.

*Causo retirado do livro: “O missionário de Deus no meio rural” de Olímpio Rosso

http://jornaldacanastra.com.br

 

"Meu Fusca, minha arca de Noé!"
Autor: Etel Buss
História publicada no site "São Paulo minha cidade" em 20/03/09 - http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=3019

Caía uma tremenda chuva em São Paulo, lá pelas tantas da noite, eu muito preocupada, pois deveria voltar pra casa dirigindo meu fusquinha. Estava ensaiando um espetáculo com um grupo ali nas redondezas da Rebouças e já imaginava a Avenida Pacaembu e as marginais todas inundadas e
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tendo que ficar ilhada do lado de cá da ponte.

Não deu outra: assim que desci a Pacaembu, já visualizei alguns pontos de alagamentos, que consegui passar sem problemas. Entretanto, quando cheguei na Avenida Marques de São Vicente, antes da entrada da ponte do Limão, o trânsito estava todo parado, com motoristas do lado de fora do carros conversando.

Impaciente do jeito que sou, não queria ficar parada ali a noite toda. E sem falar que, na época, não tendo o tal do celular, não tinha como avisar em casa do atraso e meus pais já deviam estar desesperados. Fiz uma manobra "espetacular" e impensada, ao meu ver. Subi na ilha divisória da avenida pra voltar pela contramão.

Assim sendo, com o fusquinha na diagonal, uma roda por vez, passei para o outro lado, e como não havia tráfico na contramão, voltei até a Avenida Rudge para tentar atravessar a próxima ponte, a da Casa Verde. Adivinhem? Um grande lago separava eu e meu fusquinha e a ponte que me levaria até em casa.

Lembrei do que meu namorado na época já havia me alertado e me aconselhado, dizia ele que se acontecesse de eu ficar ilhada numa chuvarada como aquela, o melhor era esperar a água baixar. Contudo, eu também já havia escutado que o fusca era duro na queda, pois tendo o seu motor na traseira, ficava mais difícil de morrer no meio d'água.

E tinha mais: para fazer uma travessia no meio de alagamentos era só necessário puxar um pouco o breque de mão e botar na marcha mais forte, a primeira, que ele, o fusca, aguentava o sopapo.

O dilúvio continuava sem dar sinal de que ia passar logo. Naquele momento eu, um pouco atordoada com estes pensamentos, pendia entre esperar a água retroceder e ir em frente e esperar que o fusquinha não me deixasse na mão. E mais uma vez, a minha impaciência bateu e, ainda complementada pela sagitariana típica que sou, adorando um novo desafio, resolvi atravessar aquele obstáculo aquático que me impedia de chegar ao lar doce lar.

Assim sendo, respirei fundo, fiz todo procedimento de que me lembrava, rezei um sem número de Aves Maria, fechei os olhos e pisei no acelerador. O coitado do fusca ia que ia patinando e no meio do percurso até senti que boiava um pouco, que os pneus não tocavam mais o chão, mas não esmoreci. Foram os minutos mais longos da minha vida pra percorrer a distância de mais ou menos dez metros de água e barro. E durante esta minha saga, via pelo retrovisor um pessoal torcendo e gritando "vai, pisa firme".

Num dado momento escutei o motor engasgando e meu coração veio até a garganta de medo de parar no meio daquele aguaceiro, mas o fusca só estava tomando um fôlego pra continuar naquela sua missão.

E finalmente, após toda a agonia, senti o chão mais firme da ponte da Casa Verde e o fusquinha se aprumando em direção à Avenida Braz Leme. Sem antes ouvir os aplausos dos mais prudentes, que ficaram pra trás esperando a água baixar.

Logo cheguei em casa, para o alívio de meus pais, com o fusquinha cheirando a queimado, pelo esforço que fiz o coitado passar, mas lógico, não contei nada das agruras que precisei fazer pra chegar sã e salva. A gente quando é jovem faz cada coisa!

 

"Quero um Fusca pra chamar de meu"
Autora: Marleth Silva
História publicada no site http://www.gazetadopovo.com.br

 

Ele não era uma pessoa de cultivar manias e obsessões. Era do tipo que tem preguiça de manter hobbies que exigem comprometimento. Certa vez teve uma namorada que era mergulhadora. Achou aquilo lindo, fez curso, mergulhou no mar frio de Bombinhas, mas não tinha disposição para dedicar todo fim de semana a uma coisa só. Gostava de ser livre para fazer... nada.

 

Este rapaz desencanado e resolvido tinha um desejo antigo: queria ter um Fusca. Identificava a raiz do desejo lá atrás, quando, ainda estudante, trabalhou com um comerciante que tinha um Fusca 66. Um dia, esse homem lhe deu carona no Fusca “meia-meia”, como ele dizia. O rapaz ficou impressionado. O carro tinha quase a mesma idade que ele, nascido que era em 1965. O automóvel redondinho era uma peça de colecionador.

O que significa dizer que algo é uma “peça de colecionador”? Significa que aquele objeto não é necessário, nem prático, nem tem uma boa relação custo-benefício. Mas tem charme e história; impressiona os amigos quando eles veem aquilo na sua casa. Os Fuscas “nascidos” nos anos 60 estavam nesta categoria. Depois que o Itamar Franco encasquetou que o Brasil precisava ressuscitar o carrinho em 1993, quem quer um Fusca porque ele é um carro barato tem essas opções mais novas, os “Fuscas do Itamar”. Os antiguinhos ficam mesmo para os colecionadores. Ele, quem diria, acalentava o desejo de ser um colecionador de carros antigos. Até se arrepiava de prazer ao dizer isso em voz baixa – “colecionador de carros antigos”. Muito chique!

Como era do seu feitio, pensou e repensou na compra do Fusca durante anos sem nem chegar perto de fechar negócio. Quem conviveu com ele percebeu que admirar Fusquinhas pelas ruas da cidade havia se transformado em uma obsessão.

Ficou pior quando os sobrinhos lhe ensinaram uma brincadeira: quem visse um Fusca gritava: “Fusca, Fusquinha” e ganhava a microcompetição. A namorada achou engraçadinho o entusiasmo dele quando os meninos estavam no banco de trás. Mas quando os dois ficavam sozinhos e, de repente, ele gritava “Fusca, Fusquinha” e olhava para ela com ar de vitória, a moça bufava, revirava os olhos e, intimamente, questionava o futuro daquela relação.

Um dia ele ultrapassou, em uma rua do Centro da cidade, um Fusca verde-musgo que levava um papel colado no vidro traseiro esquerdo: “Vende-se Fusca 1965”. Pronto, o nosso herói havia encontrado o seu Fuque. Um ano mais velho – ou melhor, mais antigo – que o meia-meia do primeiro patrão. Ainda por cima, do ano em que ele nasceu. Era o destino! O Fusca verde meia-cinco tinha de ser dele. Perseguiu o carro por duas quadras até que conseguiu decorar o número de telefone anotado no papel. Levou uns dois dias para ligar, com medo de ter de tomar uma decisão. O proprietário da peça rara fez charme. Contou vantagem. Valorizou o Fuque o mais que pode. Depois de muito falar, deu o preço. Era bom.

O rapaz pediu um tempo para pensar. Contou para a namorada. “Compre logo”, respondeu a moça. “Assim você para de falar disso.” Aquilo era um estímulo? Não era bem o que ele esperava. A dúvida o atormentava. Compro um Volks/Fusca/Fuque? Vou usar uma vez por semana ao menos? Ou ficará estacionado ao lado do pé de araçá, apodrecendo? Os amigos vão rir ou vão achar charmoso?

Depois de uma semana, ligou de novo para o dono do meia-cinco. “Demorou, o carro foi vendido”, foi o que ouviu. 
Ficou meio sem graça, desligou o telefone. 
Respirou aliviado.

 

"O Fusca azul pavão que nunca foi meu..."
Autor: Luciano
História publicada no blog do velhão - http://blogdovelhao.blogspot.com

Sou da época em que era comum os garotos trabalharem cedo, cresci sabendo que o trabalho é a parte mais importante da vida e, claro, a importância de poupar alguns trocados para não passar tantos apertos.

Assim, com uns quatorze anos já era um dos mensageiros do Banco de Crédito Nacional, o BCN, que desapareceu absorvido pelo gigante Bradesco. O salário era mínimo e a carga horária pesada, gastando a sola o dia inteiro pelas ruas da metrópole. Muitas vezes optava por esticar uma caminhada para embolsar o dinheiro da condução. Naquela época o trabalhador não tinha mordomia, o mínimo salário tinha que dar conta do transporte e da alimentação, o que sobrava mal dava para comprar uma calça jeans genérica e um par de tênis de tempos em tempos, roupa que era gasta para o próprio trabalho, assim, no início da minha adolescência, era um obediente escravo de banqueiro, pois os trocados que recebia mal eram suficientes para me manter com mínima dignidade no trabalho.

Mesmo assim, administrando a pobreza, conseguia guardar alguns trocados numa poupança, coisa pequena. Certo dia, enquanto espremia minhas espinhas de 17 anos, meu pai chegou com uma novidade, oferecia uma sociedade na compra de um carro. Achei estranho, mas ele continuou com a oferta, havia encontrado um fusca 1970, de uma viúva, abandonado a uns 5 anos no quintal, pois a dona não sabia dirigir e não queria se livrar do querido carro do falecido. O estado da lataria, largada a própria sorte sob sol e chuva por cinco anos, não era das melhores, mas era um carro que o defunto tinha desde 0km, sem nunca ter sido batido e com pouca quilometragem.

Com o saldo da minha poupança, 5 mil alguma coisa (não lembro mais a moeda da época), foi possível contentar a viúva e limpar o seu quintal. O carro seguiu direto para a oficina e depois de uma reforma na funilaria e uma bela revisão mecânica que consumiu outros 5 mil do meu pai, chegou em casa tinindo de novo, aquele azul pavão espelhado, as partes cromadas doendo os olhos, calotas, acessórios e equipamentos originais, enfim, um carrinho totalmente novo de novo.

Mas o problema é que ainda estava proibido para mim. Não tinha idade suficiente para me matricular numa auto-escola. No fundo sabia que a verdadeira idéia do meu pai era lucrar com o negócio, não pretendia ser tão generoso comigo, mas alimentava uma esperança.

Precisava mostrar que não abriria mão do Fusca tão fácil, por isso não desanimei, acordava cedo todos os sábados, com todos os utensílios necessários, dava a partida, engatava a primeira e ajeitava meu sonho no quintal, caprichava na limpeza, fantasiando em desfilar seu brilho pelas ruas.

Não comentei que na época tinha uma namorada que não agradava muito meu pai, então um dia recebi uma proposta de novela mexicana, caso desistisse do namoro, conseguia as chaves do carro.

Na época, nunca tinha sido apresentado a Maquiavel, estava ainda na fase romântica, um jovem tolo, por isso esbravejei, gritei que poderia me separar por outros motivos, mas meu coração não estava à venda. Hoje talvez optasse por aceitar a proposta, garantir meu nome no documento e

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depois continuar minha vida como bem entendesse, deixando o velho esperneando de raiva. Mas o fato é que preservei minha dignidade, sem acreditar que ele poderia levar a frente uma proposta tão baixa.

 

O carro continuou ocupando a garagem e os meus sonhos. No dia que completei 18 anos entrei na auto-escola. No dia que recebi minha carteira de motorista, fui para a aula noturna prometendo para os amigos que na noite seguinte voltaria dirigindo meu carro.

Era quase meia-noite quando desci do ônibus e corri para a casa, o dia tinha sido cansativo. Cheguei no portão e a garagem estava vazia.

Demorei muito para conseguir perdoar meu pai

 

"Meu Primeiro Fusca"
Autor: Lauro Barbosa Junior
História enviada via email do Clube


Em 1977 o meu primeiro Fusca, um 1965, cor Azul Atlântico - L360, motor 1200 cilindradas, 36 cavalos de potência, com 6 voltes de tensão elétrica.

Depois de tê-lo desmontado para uma faxina geral e irreparável, com direito a retirada de bancos, tapetes e um banho com potente esguicho d’água e solvente, ele ficou pronto para ir à oficina para uma revisão geral, com substituição de peças, engraxamento e troca de óleo.
Radio AM marca Jandal, e um porta treco de bambu com tela (na época já era um tremendo mal gosto), colocado abaixo do porta-luvas, da coluna de direção e a frente da alavanca do câmbio. 
Estes pra época eram alguns dos acessórios que tinham para o modelo, e que já estavam no carro quando comprei.
Equipamentos que em pouco tempo os retirei, deixando o Fusca somente com os itens de fábrica, como sempre gostei. 
Bom, com todo este cuidado e atenção, estava pronto para cumprir o seu papel de
transportador do seu atual proprietário.
Na primeira noite após esta arrumação do Fusca foi possível sair para diversão, fui dar uma volta pela cidade, e se emparelhar a tantos outros que pela cidade circulavam. 
Estes outros com aparência jovial também nos documentos (mais novos – bem mais novos e com tecnologia atualizada à época), pois o meu Fusca já completava seus 12 anos de uso ou de idade. 

Descendo calmamente a 20 km por hora pela Avenida Rui Barbosa, faróis acesos, Rua Governador Valadares, rádio ligado com sintonia a Radio Difusora AM de Patrocínio, fazendo retorno pela frente da Igreja Matriz, pensava que naquele momento só existia no mundo o Fusca e eu, Rua Presidente Vargas e chegando próximo a Avenida Faria Pereira, o Fusca simplesmente apagou geral. 
Enfartou tão agudamente, que para tirá-lo do meio da rua, tive que sozinho empurrá-lo ate a guia da calçada. 
Chave de partida desligada, faróis apagados, rádio também desligado, sem saber o que fazer, desci do Fusca e dei aquela volta ao redor dele, com cara de espanto ou cara feia (ao natural), como se repreendesse a alguém sobre um ato desleal, e isso fizesse com que o problema fosse resolvido. 
Ainda pra não sair do comum, abri o capô do motor pra olhar sem conhecer quase nada, como se abre a geladeira de casa e
fica ali, olhando, sem saber o que comer ou beber. 
Voltei ao interior do Fusca e levantei o assento do banco traseiro onde é fixada a bateria, só pra olhar e não fazer absolutamente nada. Ah, abri também o capô do porta-malas claro, também pra nada, porque ali só tinha o pneu de estepe, o macaco e uma chave de rodas, que alias para ser fiel às informações sobre o Fusca, abri mesmo foi o capô do “porta-mala”, porque se a mala for pequena, só cabe uma mesmo. 

Todo este tempo de parada, que não foi pouco, fiquei ali sem saber realmente o que fazer. Resolvi entrar no Fusca novamente e tentar nova ignição, e pra minha surpresa o motor funcionou. 
Quando liguei os faróis, de imediato percebi que o motor iria parar, e em ato continuo desliguei - depressa, e o motor continuou funcionando. 
Por sorte a bateria estava semi nova e com o tempo parado, de abre e fecha as portas, capôs e levanta o assento do banco traseiro etc., ela recuperou parte da carga, e novamente com o motor funcionando redondamente, faróis e rádio desligados pude voltar pra casa quase em segurança. Com faróis apagados! 
Depois deste dia – o primeiro com o Fusca, somente com o giro do motor mais alto, e a única opção, de ligar os faróis ou o rádio, nunca, jamais em tempo algum os dois ao mesmo tempo. 

Naquela época já não se achava com facilidade baterias de 6 voltes novas para reposição, e esta foi ficando velha! 
Num belo dia, já ao entardecer de uma sexta-feira, estacionei orgulhosamente o Fusca na porta da casa da namorada, o Azul Atlântico brilhava mais que sapato de verniz – comum naquela época também, e quando fui sair mais tarde, ao ligar a chave, a luz da bateria no minúsculo painel quase não acendeu e por certo não girou o motor, e foi impossível fazer-lo funcionar só na chave, a bateria não estava mais segurando com eficiência a carga elétrica. 
Mas neste dia não tive muito problema e o esforço foi bem menor, porque a namorada deu uma forcinha empurrando o Azul Atlântico ate a primeira rua a baixo. Imagine agora o “orgulhosamente”. 
Deste dia em diante, só estacionava o Fusca com as rodas traseira e dianteira do lado esquerdo sobre a calçada, para facilitar o empurrãozinho para o famoso “tranco” pra ignição, ate conseguir uma bateria nova.

Por fim, depois de alguns meses, passei a ter tanta intimidade com o Fusca, o conhecia tão bem, que parecia que eu havia fabricado aquele carro. Sabia cada detalhe de pára-choque a pára-choque. 
O Fusca é um carro tão simples e ao mesmo tempo tão avançado, que o motorista de um, tem que se esforçar bastante pra ficar com ele estragado na estrada ou na rua. 
Ele não te abandona e você não o abandona, e vira paixão uai. 

Um dia troquei este Fusca por outro, um 1967, dois anos mais novo, e com várias modificações e atualizações, também azul, só que Azul Real, motor 1300 cilindradas, 38 cavalos de potência, 12 voltes etc. 
Mas este é outra estória.

Lauro Barbosa Junior – dezembro 2004

 

"Um Fusca, duas loiras e um destino"
Autora: Rose
História publicada no Blog http://aloiraeofusca.blogspot.com/

 

Queria eu, seguir uma ordem cronológica das histórias... mas tem hora que algumas delas vem na cabeça tão forte. E por isso compartilho hoje com vocês (também para compensar as duas semanas que não postei nada :/) uma das maiores aventuras que o herbie já me proporcionou... 

Planejamento. Esses dias alguém me falou sobre a importância de planejar as coisas, para uma vida plena, saudável, uma carreira de sucesso, etc... Mas aí eu me perguntei: e pra ser feliz? É tão necessário assim planejar? Sendo que as coisas que nos fazem sorrir e nos proporcionam momentos bons e ótimos muitas vezes são aquelas que nos surpreendem... ou seja, as quais não planejamos. Dessa forma e por esse pensamento é que resolvi levar a vida mais free enquanto funcionar, exceto no trabalho, onde planejar é também uma exigência.

Sabe quando você coloca na cabeça que não pode fazer algo?
Acaba nunca fazendo nada por pensar assim.

Eu não iria no Planeta Atlântida, muita grana, muita mão ir até lá, e onde eu ficaria esses dois dias? Não, sem chance, nem pensei na hipótese. Exigiria muito.
A amiga aventureira me perguntou umas muitas vezes se eu iria... eu: NÃO! Uns três dias antes refleti mais a fundo sobre a situação, e cheguei a conclusão de que pra muitas coisas na vida, basta querer, basta uma atitude positiva e alguém com quem se possa contar.
Não conseguimos topique, não conseguimos alugar lugar nenhum... tínhamos a vontade e os ingressos.
E que tal irmos de fusca? Sim, o Herbie pow!!!
Aquele mesmo, cujo velocímetro não funciona e as sinaleiras vivem queimando...
O trajeto é longo, mas a vontade e a coragem eram maiores.
Que os pais da copiloto nunca leiam este post.

Mas é, duas loiras,
muita comida de besteira,
algumas mochilas,
uma coberta e dois travesseiros,
poderíamos dormir no fusca uai. =D

O sol já tinha se escondido de nossos olhos cintilantes e sorrisos ofegantes pela aventura. Seguimos o cruzeiro do sul e minhas vagas lembranças do caminho da praia. Não poderia ser tão difícil chegar lá.

Ao som do celular e o que dava para ouvir entre o barulho do motor, seguimos o fluxo. Sim, já era de se esperar que queimasse a sinaleira.
E se alguém passasse por nós e gritasse: GURIAAAS, A SINALEIRA TAH QUEIMADA! ? Ficaríamos envergonhadas? Não, diríamos: MAS O FAROL TAH ACESO com muito orgulho!


Tudo podia dar errado segundo a teoria do planejamento. Mas isso é o que dava mais adrenalina e emoção ao momento. (Estou rimando ou é impressão minha? No próximo post vou escrever um poema oeheoeiheoieh)
Tirando o gato preto que cruzou nosso caminho naquela noite de sexta-feira que não era 13 eoiheioeheoihe o resto ocorreu tudo conforme o não planejado, mas desejado trajeto.
Sentindo-nos únicas chegamos de Herbie... e alguém falaria algo por a gente não estar de carrão? pfff estávamos lindas tomadas de felicidade por estar lá, e mais ainda por ter chegado lá.

Fizemos nossa parte e aproveitamos muito cada momento daquela noite, mas é chegada a hora de seguir rumo ao descanso para mais um dia. Seguir para onde? Acaso, sorte ou Deus, encontramos uma galera shooow que nos convidou pra fazermos parte do grupo e nos ofereceram um colchão inflável magnífico. Agora o herbie tinha mais amigos, que queriam, sim queriam *-* ir de carona com a gente.

Acho que eu exigi de mais do Herbie, andamos muuuuito por lá, muito mesmo... Eram trechos com quebra-molas de 100 em 100 metros, eram trechos com muuuuuita água, era chuva, era sol, era gente rindo, gente gritando, gente animada, gente dormindo, gente assustada com a quase batida, gente tirando um cochilo nele, tentando dirigir hahaha. Mas ele sobreviveu até mesmo ao retorno. Levou duas loiras e trouxe mais três passageiros e muuuuita bagagem, até hoje não sei como fizemos caber tudo. Entre podres, cansados, contentes e animados, restaram as histórias e as lembranças que sempre estarão naquela lata marcada, naquele porta-luvas com coisas estranhas, naquele baú, naquele assoalho que já teve areia, água, terra... naquela pena laranja que ocupa um buraquinho no painel... mas essa já é outra história...
Planejar?
Planeje ser feliz.
Como?
Faça a sua parte e o resto deixa pra vida!

Fica a dica ;)
e também o agradecimento às gentes da história
BRUNAdiogoBRUNOdiogerDUDAcarolHENRIQUE

Muitos beijos da Loira do Fusca ;*

 

"Paixão a primeira vista..."

Autor: Luiz Quibão Jr.

Bom vou contar a historia de uma paixão á primeira vista!
Em 1982, ou começo de 83, estava com 18 anos e vi na casa de meu nono uma revista 4 rodas com a reportagem de capa sobre o Cobra Glaspac, foi amor á primeira vista, mas era um sonho impossível.
Aquelas formas arredondas não saiam de minha cabeça, mas alguns dias depois em uma festa dos anos 60 vi estacionado na frente do salão um Karmann Ghia champanhe, ao olhar o carrinho foi uma paixão imediata, uma espécie de sublimação de um desejo, pois quem não tem cobra caça com Karmann Ghia!
Fizemos até uma foto ao lado do carro e conversando com o dono, soube que ele venderia.
Aí começa a busca pelo dinheiro, tinha 3 nono e 3 nonas todos vivos, é que como o tio do meu pai não tinha filhos ele foi morar junto e foi criado como tal, alias foi na casa deste tio/nono que vi a revista. O pai de

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minha mãe, que eu era neto único, era onde eu corria fazer os empréstimos (a casa que moro, foi presenteado por ele quando casei, mas depois de uma bela reforma) falei:
- Nono, o Senhor empresta dinheiro para eu comprar um carro?
- Empresto, mas qual carro é?
- Um Karmann Ghia.
- Xiiiiiiii!!!!!!!!!
Ai acabou o dialogo, ele nunca gostou de carro velho, pois tinha sofrido muito com os ônibus que dirigiu, Fords 32 entre outros, aliás ele tinha um Chevette 82 que vendeu em 2000 mais ou menos, pois começou á dar uns problemas por rodar pouco.
Bom, minha outra solução foi o tio de meu pai pois o meu nono verdadeiro nunca me ajudou em nada, pois tinha me escolhido pra ser o padre da família, titulo que declinei de imediato!
Imagina minha alegria quando ele aceitou fazer o empréstimo!
Dinheiro na mão, fui com um primo e um amigo mecânico ver o Karmann, aquele domingo foi inesquecível.
Pelo valor, ele estava bom. Saímos todos felizes com meu carro novo.
Chegando em casa deixo o meu primo dar uma volta com ele e fico apreciando "MEU" carro, o primeiro que compro com "Meu" dinheiro, mesmo que emprestado e sem juros.
Quando ele sai achei o nome perfeito pra ele! Mankinho, pois a roda trazeira esquerda estava torta e mancava, e ficou Mankinho com K de Karmann.
O dia era chuvoso, aquela chuva molha trouxa, que vai volta fica garoando, mas nada tirava nossa alegria, e fomos os 3 caçar na reserva ecologia de Mombuca, cidade próxima daqui, onde só tinha homens feios, então tínhamos mais chances.
Eu ao volante meu primo de passageiro e o Assalin, mecânico, no banco (?) de traz.
Uma certa hora, como o tempo estava um pouco frio, meu primo pede pra eu fechar o vidro, e respondo que não era do vidro e sim do buraco do assoalho o vento.
Bom foram tantas aventuras que só elas dariam um livro, então vou contar só as mais marcantes!
E sem duvida depois de todas as reformas que fizemos, eu fiz funilaria e pintei ele 2 vezes, restaurei algumas peças que ainda estão nele e depois termino este assunto.
Bom, com ele conheci minha esposa, saíamos em uma estrada que liga Capivari á Monte Mor em noites de trovoadas ver os raios pelo teto solar do carro, alias como entra água nestes carros, conheci pessoas que tiveram eles 0Km e reclamavam deste detalhe dele.
O Mankinho já era parte da família, e em 1984 fui com ele á Piracicaba junto com o nono do empréstimo fazer minha primeira compra de materiais pra eletrônica que iria abrir, ele veio de pernas abertas, mas veio valente, alias ele nunca me deixou na mão, mesmo quando era 6V.
O tempo foi passando as responsabilidades aumentando e em 1988 tiramos um Chevette 0Km dai comecei á sair menos com ele, mas o golpe foi depois do casamento, ele foi colocado em um barracão onde tinha eletrônica, e estava vazio depois da mudança ao prédio novo. Em 1994 compro uma chácara em São Pedro e não ficava mais os finais de semana aqui e no ano seguinte, 1995, aparece uma troca de um terreno que havia comprado, já que casei na mesma cidade por uma casinha.
Feito o negocio em janeiro, a comemoração deve ter sido tão boa que o Leandro nasceria em Setembro, brincadeira ele veio do alto da Serra onde tinha a chácara.
Filho vindo, pensei nunca mais vou ter tempo pra cuidar do Mankinho, até que um grande amigo me procura perguntar sobre um que ele viu no jornal, e ofereço o Mankinho á ele.
Negocio feito em junho de 1995.
Bom o arrependimento não demora muito á chegar depois de alguns anos em 2001 o anticocus ferruginosus começa a cocar de novo e bate a saudade.
Acabei comprando um Jeep Javali, o Frank, de Frankstain, mas faltava um Karmann, que sai á procura, achei um muito ruim e caro, tinha um amigo de São Pedro que era funileiro procurando um carro "estranho" pra gente, pois a Luci também sentia falta dele, fui ver com ele um Gordini que estava desmontado, mas excelente e fecharia negocio se o pai deste meu amigo aceitasse a empreitada de terminar o carro. O Lê não gostou nada da idéia do Gordini.
Ao comentar com um amigo que tinha uma sorveteria lá em São Pedro o filho falou que estavam vendendo uma Puma conversível branca um pouco acima dali, mas disse que não teria dinheiro para tal pois á uns 6 meses já tinha comprado o Frank.
Mas a curiosidade matou o gato e fomos ver.

Ela estava muito boa e já me preparava pra saber que não poderia compra-la.
Quando ele falou o preço fiz cara de espanto e o dono falou que poderíamos negociar, o que achei que estava barato saiu mais barato ainda.
Íamos sair pra experimentar, mas na hora o céu desaba, sou muito ansioso e foi duro esperar o domingo, uma noite nunca tinha demorado tanto pra passar.
Assim a Kiki vem pra casa.
Mas na época da novela Senhora do Destino, que tinha o Galaxie 500 branco a coceira começou de novo, e não é que depois de muito procurar o cara do sorveteria me arruma o Azulão(Landau83)?
Depois de compra-lo o Carlão pede se eu não o ajudaria á vender o Mankinho, puts deu desespero, pois nunca tinha comprado nenhum item de coleção de Karmamm Ghia de tanto que eu e a Luci sofríamos a falta dele.
Mas foi alarme falso e o Carlão desistiu.
Mas passado mais uns 2 anos ele bota á venda mesmo e para recomprar teria que raspar o tacho ou vender a Kiki e o Frank, pois o Azulão o Lê e a Luci nem cogitavam.
Foi em um evento do Galleria em Campinas que os meus amigos do Galaxie Clube me convenceram á recomprar o Mankinho, chegando de lá fiz uma proposta de parcelamento ao Carlão que o aceitou e depois de 11 anos e 13 dias o Mankinho estava de volta á familia.
Quando fomos busca-lo a Luci não conseguia segurar a ansiedade e a felicidade, e olha que ele estava 3 metros de casa no outro lado do quarteirão aqui em frente na casa que fica ao lado da que meu nono morava.
Foi como rever um antigo amigo, uns reparos que eu fiz no quebra sol estavam lá ainda, de cor diferente mas com minhas digitais ainda.
Hj o Lê não cabe mais atrás dele, mas passeamos muito com ele e a Kiki.
Cada um dos carros tem sua personalidade, mas outro dia eu conto!

 

"Eu, o Bêbado e o Poste"
Autor: Pedro ivo Barbosa
Publicado no Blog: http://pedroivo.wordpress.com
 

Eu andava por uma rua estreita e escura, quando vi um bêbado namorando um poste. Ele lambia e apalpava aquela viga de concreto como um animal no cio. Devo ter feito algum barulho, porque quando me aproximei, ele se virou aos berros:

- Tá olhando o quê?!?!

Parei e fiquei imóvel na esperança de sumir da sua vista.

- Eu não sou só de carne, entendeu?!?! Tem mais coisa aqui dentro do que você tá vendo! Ouviu? Cê me ouviu?!?

- Ouvi, ouvi… Tudo bem. Só tô passando…

Ele me fez um olhar desconfiado, coçou o nariz e cambaleou até mim. O cheiro forte do álcool quase me deu barato. E a cada passo que dava, sua voz ficava mais baixa, até que se tornou um sussurro quase incompreensível.

- Você… Você é de verdade?

- Hã… Sim. Sou, sim.

O bêbado sorriu revelando uma disforme fileira de dentes laranja esverdeados.

- Euuuu… Eu não sou só de carne. Diz pra ela isso. – Apontando pro poste.

Como não discuto com bêbado, dobrei meu pescoço pra ver o poste e gritei.

- ELE NÃO É SÓ DE CARNE!!!

Seus braços subiram como quem comemora um gol. Pulou de alegria gritando um prolongado “Aêêêêêêê!”, e caiu sobre si batendo a cabeça no muro. Tentou se levantar duas vezes para conseguir só na terceira apoiando-se no muro e na minha camisa.

- Ouviu, sua bruxa?!?! Ouviu o que ele falou? Eu não sou só de carne! Tem um mundo innnnteeeeeiro dentro da minha pessoa que você pode amar pro resto da vida!

o_bebado_e_o_fuscaPermaneci estático enquanto ele socava o ar e abraçava o poste.

- Eu tomo mais banho se você quiser. Tomo, sim. Pode deixar. Mas você tem que me amar… Tem, sim. É importante… hic!

De repente, um carro perdido na madrugada surge atrás de mim. Olho e percebo que se trata de meu amigo, em seu fusca azul, com o qual eu me encontraria dois quarteirões adiante.

Entrei no carro sem cerimônia e fui embora. Olhei pelo retrovisor e ainda pude vê-lo abraçado no poste e acho que o ouvi gritar:

- EI! DIZ QUE ELA NÃO É SÓ UM POSTE!!!

 

"O dia que meu Fusca virou Beatle..."
Autor: Eduardo Bonfim
História pubicada no site http://www.thebeatles.com.br em outubro de 2004, na coluna BeatleFics sob o pseudônimo Edmundo Macalé. 

Mas você tambem pode conferir esta hitória no Blog http://obaudoedu.blogspot.com
 
Em agosto de 1969, eu estava em Londres. Como o Brasil atravessava um período muito difícil, resolvi me exilar nestas terras por onde às vezes o tempo parece não passar, mas passa. Na época tinha 22 anos e até então nunca havia sido, nem me sentido como um Beatlemaníaco.

 Mas naquela doce manhã de agosto, mais precisamente no dia 8, aconteceu um fato que mudou bastante minha vida e a forma de ver as coisas. Vivia hospedado na casa de um casal de amigos. Desmond e Molly Jones, numa rua chamada Abbey Road. Nesta rua, ao lado da casa dos meus amigos, havia o famoso estúdio onde os Beatles gravavam todos os seus sucessos.

Desde que cheguei, me acostumei a ver todos os dias um monte de fãs que viviam aglomerados ao lado do muro na árdua tentativa de ver um dos quatro Beatles, ou os quatro. Mas nunca tinha prestado maiores atenções. Pois bem, naquela época eu tinha (e ainda tenho!) um fusquinha branco, ano 1966, placa 28IF.

Levantei bem cedo, pois havia marcado uma entrevista para um possível emprego. Quando saí de casa, tomei um susto! Lá fora havia muito mais fãs do que de costume. Estavam todos muito agitados. Havia também um batalhão de fotógrafos. Indaguei com um vizinho - um certo Mr. Mustard - sobre o que estava acontecendo. Ele me disse que os Beatles iriam fazer uma sessão de fotos para a capa do seu novo álbum. Bem ali, no meio da rua. Me disse também que a polícia havia fechado o trânsito pela próxima meia hora. Meia hora? Não era possível. Iria perder minha entrevista!

Meio chateado e meio descontente, decidi fazer parte daquilo tudo e fui me juntar, curioso, ao bando de fãs para ver o que aconteceria.

Qual não foi minha surpresa ao ver os quatro Beatles sairem do estúdio e formar uma fila indiana bem na beira da calçada, perto de onde eu estava. A tal foto seria tirada quando eles estivessem no meio da faixa de pedestres.

Pelo local onde o fotógrafo deles se posicionou, percebi que naquela foto haveria um coadjuvante muito especial: Meu fusquinha branco estacionado na porta de casa. A sessão não demorou tanto. Mais ou menos uns dez minutos. Eles atravessaram a faixa sete vezes. Indo e vindo. Então o fotógrafo gritou: “Ok. I got it!”.

Os quatro Beatles foram atenciosos com os fãs e distribuíram vários autógrafos antes da polícia liberar o trânsito. Depois, voltaram para o estúdio e a multidão foi se dispersando.
Corri para meu fusquinha e consegui o emprego! Como disse, aquele dia mudou minha vida. Hoje sou um velho Beatlemaníaco e guardo com muito carinho tudo o que se refere a eles.

Principalmente as lembranças. Tenho uma coleção de artefatos maravilhosos, dentre os quais, com certeza, o preferido é meu fusquinha branco que ficou imortalizado na capa do LP Abbey Road.

Aquele disco foi o último dos Beatles como conjunto. Curioso é que se encerra com um verso que significa muito para cada fã: “ E, no final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz”. Thanks, Beatles!

 

 Curiosidades sobre os Beatles.. 

  
Não existe fã dos Beatles que não saiba das inúmeras histórias e lendas que envolvem a capa do álbum Abbey Road. 
Na época da “conspiração” da morte de Paul McCartney, a capa tornou-se a principal “prova” de que o boato era verdade, e o fusquinha uma das peças fundamentais na montagem desse quebra-cabeças. 
O fusquinha branco modelo 68 com a placa LMW 28IF, depois dos Beatles é o elemento que mais chama atenção na composição da foto. 
Segundo a conspiração, LMW significaria: “Linda McCartney Widow” – viúva - e o 28IF – que McCartney estaria com 28 anos “se” estivesse vivo. 
A única verdade nisso tudo é que o fusca tornou-se ainda mais popular em todo o mundo depois de aparecer na capa do último disco dos Beatles. 
Depois que Abbey Road foi lançado, a placa do fusquinha foi roubada várias vezes. Muitos afirmam que o carrinho pertencia a um jovem casal sueco que morava bem próximo ao estúdio. 
No dia da foto – 8 de agosto de 1969 – os assistentes do fotógrafo Ian Macmillan ainda tentaram tirar o fusquinha do cenário, mas seus todos estavam de férias e ele continuou lá, firme e forte! A foto foi tirada ás 10:30 h. 
Em 1986, o carro foi vendido em um leilão por 23.000 dólares e atualmente vive em exposição permanente no museu da Volkswagen em Wolfsburg, alemanha. 

 

 Fonte: http://obaudoedu.blogspot.com/2010/03/o-fusquinha-da-capa-do-abbey-road.html

 

"Fusca de bananinha"
Autor: Ernesto Bernardi
História publicada no site "São Paulo minha cidade" em 11/08/09 - http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=3517 

Tio Haylton era o mais brincalhão dos tios. Irmão caçula de meu pai, sabia todas as piadas, gostava de passarinhos cantantes e era corintiano roxo. Único filho a trazer o olho azul do nonno Idônio, característica que passou ao seu filho mais velho Hayltinho. Tinha uma energia de viver como poucos. Não sabia contar um caso sem emoção, sem emitir ruídos e, mesmo em casos dramáticos e verídicos, todos sem exceção caíam na gargalhada. É claro que quando o "coringão" ia mal das pernas, a família de palestrinos e

santistas não deixava barato, mas ele sempre tinha um jeito carinhoso e gentil de sair daquela pressão e de modo envolvente se fazia o mais querido de tutti quanti.
A tia Nemesis era muito calma e tinha a maior paciência com os sobrinhos; D. Rosa, sua mãe, tinha o mais bonito sorriso, como a filha, e nos recebia com um grande abraço e falava, "Oh, figlio mio..."
Titio morava na Rua São Paulo e nós achávamos muito curioso uma rua levar o mesmo nome da cidade. Eu dizia sempre aos meus primos que a maternidade que nasci era São Paulo, a cidade e o estado também, então só me faltava aquilo, morar também numa rua com o nome de São Paulo.
Ali a cinquenta metros tinha o Largo São Paulo com o teatro do mesmo nome; era o espaço para os "pestinhas" andarem debicicleta, jogarem bola e correrem até doer atrás das costelas. Numa esquina do largo exibia-se majestoso palacete de dois andares e tinha brasão e bandeira com as cores da Itália. Hoje o largo é a Praça Almeida Junior, o teatro que virou cinema por algum tempo, não existe mais e o tal palacete hoje é a Società Italiana Lega Itálica, que nasceu da junção de outras sociedades que funcionam em outros lugares na atualidade, Società San Vito Mártire, Muse Italiche e Lega Lombarda.
Ano de 1960, a grande novidade, fomos levados por meu pai num final de tarde no meio da semana até a casa de meu tio, o que era incomum. Lá chegando, surpresa! Meu tio havia comprado um fusca, o objeto do desejo de

todos brasileiros. O carro era usado e tinha equipamentos curiosos, como o sinalizador externo, ou pisca-pisca, na coluna do carro; quando se ligava o dispositivo saía uma "bananinha" da coluna e uma lâmpada na cor amarela piscava de forma intermitente. Ficamos malucos, só queríamos saber de ligar o pisca, ao que o nosso pai foi logo interrompendo, "Ou, molecada, assim vai quebrar!".
Aos poucos fomos descobrindo detalhes, como um buraco atrás do banco traseiro que cabia dois de nós. O fusca não dava partida na chave como os carros modernos; a chave, depois de virada, acendia uma lâmpada vermelha e outra verde no velocímetro, aliás, o único medidor no painel, meu tio apertava um pequeno botão branco situado logo abaixo da chave e aí dava partida no motor. Queríamos ver a parte da frente do carro aberta para verificar que ali não tinha motor, pois motores dianteiros eram a praxe daquela época, como no Ford 1946 de meu pai; depois rapidamente queríamos ver a traseira para comprovar, "Sim, ali estava o motor!"
Daí fizemos todo tipo de pedidos para andar na maravilha, mas meu pai cortou imediatamente a campanha com um "Não! Vamos embora para casa, pois sua mãe está esperando para jantar."
E assim fomos para a cama, sonhando o dia que iríamos passear de fusquinha, com direito a uma Cerejinha e depois Chicabom com o tio mais legal do mundo.

 

"Meu primeiro carro - Fusca"
Autor: Eduardo Verissímo
Publicado no site: http://v16.com.br

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Meu primeiro carro foi um Fusca. Não era exatamente meu, já que era de minha avó, apesar de ela nunca ter planejado dirigir qualquer coisa movida à gasolina na vida. Mas vou escrever como se fosse meu mesmo, para facilitar nosso papo.

Comprado por dois mil reais de um colega da empresa onde ela trabalhava, foi um carro que quebrou muito o meu galho em diversas situações, além de ser uma fonte praticamente inesgotável de diversão para um garoto de 21 anos. Era um Fusca 69, branco, muito bem conservado, com um rádio que bem provavelmente era o original.

Eu havia sido aprovado no teste de direção após 3 tentativas frustradas por conta da minha dificuldade em, respectivamente, manter o carro sem morrer, usar corretamente o freio de mão nas subidas, e fazer baliza. Resisti bravamente à tentação de dirigir o carro sem carta. Para falar a verdade, eu tinha, na época, uma paciência que hoje considero gregoriana. Minha mãe havia se habilitado algumas semanas antes de mim, depois de apenas duas reprovações. Então ela começou a dirigir pouco tempo antes de mim. Isso não fez com que ela se tornasse uma ás no volante. Durante muito tempo ela continuou sem trocar marchas deixando o motor trabalhar em altíssimas rotações, além de ser uma motorista monofaixa, incapaz de mudar para a esquerda ou para a direita se houvesse qualquer carro a menos de vinte metros de distância. Acredite: isso torna a vida muito mais difícil.

Minha primeira viagem para São Paulo foi uma aventura. Eu precisava ir a um mercado em Pinheiros onde realizaria um trabalho. Estacionar naquela região é terrível, pois não há espaços livres em nenhuma rua. Ao encontrar um lugar adequado, manobrei manobrando de maneira terrível, e, nervoso por causa das buzinas das dezenas de outros carros, acabei batendo em um poste enquando tentava colocar o carro na vaga. Por sorte não causei danos a algum ser vivo que passasse por ali no momento. É óbvio que eu levei uma bronca de minha mãe quando cheguei em casa. Mas a revanche não tardaria; no mesmo dia, uma ou duas horas depois, ao tirar o carro da garagem, ela bateu o carro no poste da garagem, deixando uma marca simétrica no paralamas do Fusca. Quem disse que nunca podemos ir à forra?

Aquele carro tinha um segredo. Uma rosca que ficava sob o banco do passageiro, que cortava a energia do carro quando afrouxada. Ao emprestar o carro para uma amiga, na época, não achei necessário contar a ela como funcionava. Meia hora depois eu a vejo chegando onde eu a esperava dizendo que o carro havia parado e que alguns hippies estavam tentando ajudá-la a fazer o carro voltar a funcionar.

Começar a dirigir pode ensinar várias coisas. Em minha primeira viagem na Anchieta, para visitar um amigo, notamos que algo cheirando a queimado preenchia o ar dentro do Fusca. Depois de levantar inúmeras hipóteses, olhei uma luz que eu não lembrava estar acesa no painel. Alguém pode me explicar porque o Fusca andava com o freio de mão puxado? Depois de baixá-lo, o rendimento do carro aumentou consideravelmente, a ponto de eu conseguir passar dos 60 por hora com uma facilidade enorme.

Alguns meses depois, minha tia resolveu vender seu Gol bolinha, e minha avó considerou que já estava na hora de fazer a troca. Infelizmente, a hora do Fusca havia chegado. Eu costumava dizer que um Fusca é mais que um carro, é um membro da família.

Ter deixado que ele se fosse deixaria marcas indeléveis em meu coração, não fosse termos o vendido a um vizinho que morava no mesmo condomínio. Saber que o Fusquinha estava lá deu tempo suficiente para que eu me acostumasse à vida boa que aquele Gol 96 proporcionaria.

 

"A Kombi do Super Homem"
Autor: Luiz Quibão Jr.
História publicada no Grupo Yahoo - Buteco Galaxie

Como é bom ter a felicidade de ter um Super Herói particular, principalmente quando a gente é criança e precisa se sentir seguro.

Quando era criança morava no armazém de uma fazenda, a Fazenda Itapeva, local onde os pioneiros ergueram uma capela que hoje está quase caindo e foi onde seria fundada a cidade de Capivari, que acabou sendo fundada alguns quilômetros antes ás margens do rio, mas Voltando ao Super Homem, ele trabalhava pro meu nono, dono da venda, e era ele quem fazia as entregas com uma Kombi.

Imagina a minha felicidade de poder ir fazer as entregas com ele!

Na época óleo era á granel vendido em litros ou garrafão, arroz em sacos de 60kgs que eram pesados na hora, bem como feijão milho, farinha, açúcar entre outros.

As compras, feitas na caderneta eram separadas por ele e colocadas nos sacos de açúcar alvejados que os fregueses mandavam, eram compras muito grandes, pois quem trabalha na roça tem que comer bem, pois saco vazio não para em pé.

Mas nem sempre as coisas corriam bem, em dias de chuva as estradas ficavam péssimas e ai o Super Homem entrava em ação, eu adorava ver a Kombi rebolar pela lama e firme e forte cumprir sua missão, criança não nota os perigos e meu pai, ops o Super Homem não deixava transparecer a preocupação.

Escrevendo isso ouvindo a chuva que está caindo no telhado parece que as imagens vêm mais fortes, é um filme que vai passando em nossa frente.

Olha tinham que ser fortes, a Kombi e ele para agüentar as estradas e o peso das compras.

Hoje a fazenda está se acabando a venda já foi demolida, a capela está á ponto de desmoronar, vamos ao mercado e compramos arroz em pacote de 5kgs óleo em litro o leite vem da caixinha e muitas crianças nem imaginam para que serve a vaca.

Os Super Heróis dão os piores exemplos possíveis pela madrinha TV, os Heróis de carne e osso perderam a vez.

Mas eu nunca vou esquecer a Kombi do Super Homem, ela já não existe mais, mas o Super Homem vem aqui em casa todo dia brincar com meu filho!

 

"A história do Fusca 1976"
Autor: 
mvhoffmann
História pubicada no site http://www.youtube.com

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Vou tentar descrever aqui uma história com grande emoção.

Meu Pai (já falecido) comprou um Fusca 1300 1976 em 2002 do Sr. Nilvo (quem tirou ele 0km da loja), o fusca era usado apenas para passeio, ficava sempre guardado na garagem em baixo de uma capa protetora.
Foi a partir daí que a história começa em nossa família. Meu Pai usou este carro até dia 15/01/2005, data em que faleceu.
Em abril de 2006, mês em que fiz 18 anos, minha mãe e minhas irmãs se reuniram e decidiram me dar o carro de presente, pois eu era o único filho homem e era muito apegado ao meu Pai e ao carro também, fiquei muito emocionado, já que ele era o "chodó" do meu Pai.
Passei então a usar o carro para passear e trabalhar. Em março de 2008 dei o fusca e uma moto que havia adquirido de entrada em um Golf 2001 (carro que só me incomodou, diferente do fusca). Meus familiares ficaram chateados comigo, afinal o carro foi uma herança que tinha um valor sentimental para todos.
O novo dono dele, Fernando, fez apenas duas coisas que o deixaram impecável novamente (pintou o exterior em um restaurador de fuscas e colocou quatro pneus novos). O carro ficou em exposição na loja dele por um tempo (eu passava na frente eme arrependia do que tinha feito), depois foi levado para uma garagem na Gamboa-SC.
Ele decidiu fazer uma rifa do fusca para recuperar o dinheiro gasto e ter mais um atrativo na festa beneficente a um Sr. da comunidade, que é feita todo final de ano. Comprei um bilhete no valor de R$ 200,00 e fui para a festa realizada em dezembro de 2009, com a esperança de ganhá-lo, mas ainda não era à hora.
Ao receber o prêmio o ganhador subiu no palco, agradeceu a todos e na mesma hora anunciou que estava doando o fusca para Associação do Beira Mar, para que fosse feito um novo sorteio na peixada em junho de 2010 (festa para arrecadar fundos à Associação).
Eu então falei com o Fernando, que por sinal virou meu amigo, pedi para me avisar quando estivesse vendendo bilhetes para o novo sorteio porque eu queria comprar novamente.
Uma semana antes da festa ele me liga e oferece o bilhete no valor de R$ 100,00 dizendo que só tinha mais os números 24 e 26, eu ia escolher o 24, pois meu Pai sempre jogava este número no jogo do bixo, mas não sei por qual motivo fiquei com o 26 e falei para ele, eu não vou à festa, tem algum problema? E ele me garantiu que estaria lá para me representar.
Dia 12, como era dia dos namorados fui passear com minha namorada, que comprou este bilhete "de meia" comigo. 
No final do dia quando já estávamos prontos para voltar para casa, recebo a ligação de um amigo meu chorando e gritando... "Tu ganhou o fusca, tu ganhou o fusca que era do teu Pai, vem pra cá, estão todos muito felizes e emocionados com a história, vem...".
Eu não acreditava e comecei a chorar, a rir, tudo ao mesmo tempo, logo peguei o carro e fui com minha namorada para o local da festa, parecia que não chegava nunca, mas chegamos e lá estava ele... Ao chegar várias pessoas vieram me abraçar e dar os parabéns (me senti um popstar... risos), pois o Fernando havia subido no palco econtado a história, muitos se emocionaram neste momento.
Peguei então o carro e fui para casa do meu amigo que me deu a notícia, dormimos na casa dele e domingo cedo fomos para casa mostrar para minha mãe.
Antes de chegar em casa passamos na minha irmã para combinar de que forma mostraríamos o carro para ela, pois ela tem 63 anos e sente muito a falta do meu Pai, e este fusca traria muitas lembranças a ela. Minha irmã, meu cunhado e minha sobrinha foram na frente para prepará-la dizendo que tínhamos uma surpresa.
Enfim, chegamos (eu e minha namorada) com o fusca, à emoção dela foi muito forte (gravamos tudo), e assim foram chegando às pessoas e vendo o fato histórico. Podemos dizer até que foi um acontecimento dos céus.
Algumas observações... O carro não rodou 500km do dia que vendi até o dia que recuperei; O carro ainda estava no meu nome; Um chaveiro com uma Santa que meu Pai sempre tinha em seus carros, estava no mesmo local que ele deixou. Bom, está é minha história, tentei resumir e explicar da melhor forma possível.
Há, ia me esquecendo uma coisa, agora ele não sai mais da família... risos.

 

 "Se meu Fusca Falasse...Inspirada numa lição"
Autora: Fá Fioretti
História publicada no Blog http://devoradoradehistorias.blogspot.com

 

Ela estava eufórica. 
Havia comprado seu primeiro carro sem ajuda de pai, irmão etc.

Era uma vitória. Ganhara sua liberdade de ir e vir.

Andava no seu fusca branco, ano 68, semi-conservado, como se pilotasse um Porsche Carrera GT, eleito o carro do ano na época. Sentia o mundo a seus pés e se orgulhava de seu possante. Vivia tempos de bonança.

Um aumento salarial possibilitara que colocasse o filho - que chegara em idade primária - em um bom colégio particular.

Fazia questão de buscá-lo na porta da escola com o vidro aberto, cabelos ao vento. O rádio sempre sintonizado em uma rádio que só tocava MPB. Exibia o seu bom gosto musical assim como exibia sua caranga.

Seu filho, sempre muito falante e alegre, portava-se cabisbaixo e amuado na saída da escola.
Preocupada que ele tivesse tendo problemas na escola, questionou-o e, veementemente, ele negou qualquer intercorrência.
Contudo, aquele comportamento não habitual repetia-se dia após dia e ela decidiu outra abordagem.
- Abra seu coração comigo, meu filho. O que está te incomodando?
Com um profundo suspiro ele revelou que sentia vergonha do fusca da mãe e pediu que ela não mais estacionasse na porta da escola, que parasse na rua de trás.

Ela, apesar de entender o sentimento do filho - afinal, também já havia sido criança e seu pai tivera uma "Variant" laranja -, ficou consternada com a aflição e, pela primeira vez, duvidou ter sido uma boa idéia colocar o menino em uma escola particular.
Será que ele havia desaprendido tudo o que ela havia ensinado sobre a irrelevância dos bens materiais?
Sem muito pensar sentenciou:
- Há coisas que causam muito mais vergonha do que um Fusca. Mas, farei o que me pede.
No dia seguinte, chegou um pouco antes do horário da saída estacionou o carro na rua transversal e foi, caminhando serenamente, esperá-lo na porta da escola.

Quem já viu uma saída de colégio sabe o tumulto e a algazarra que se formam quando o sino toca. É um embarque e desembarque constante em carros, vans e ônibus. Mães aglomeradas tentando reconhecer seus rebentos dentre tantas cabecinhas uniformizadas.

No meio dessa balbúrdia ela levanta os braços e com movimentos de chamamento se põe a cantar, elevando a voz acima da cacofonia "Vem neném, vem neném, vem neném, vem!" Algumas mães a olham com espanto e ela continua a cantoria, sempre o mesmo refrão, cada vez acrescido de mais um movimento de dança, como palmas e pulinhos, até que avista o filho e parte para o inevitável grand finale mãos nos joelhos e roboladinha.

O menino a olha espantado e pergunta porque aquilo e ela simplesmente responde que há coisas mais embaraçosas que um carro velho.

Ela continua a cantar e a dançar durante todo o caminho até o carro e, perplexo, o filho faz voto de silêncio.

Por mais quatro dias a cena se repete, até que o menino pede que a mãe volte a pegá-lo na porta de escola, de Fusca, pois seus colegas de classe o indagaram sobre o estranho comportamento dela e ele lhes contou a história, fazendo seus amigos rirem e desejarem que suas próprias mães lhes aplicassem castigos tão engraçados assim.

O mais importante foi que o garoto entendeu que aquele não se tratava de

um castigo, mas que a mãe lhe dera uma lição, não apenas sobre materialismo, mas sobre a péssima tendência que temos a ver as coisas apenas pelo ângulo do que o mundo capitalista valoriza e nos esquecemos de pensar inocentemente como crianças, até mesmo quando ainda somos crianças.

 

"Através do Fusca"
Autor: Carlos - Canela/RS
História publicada no site http://www.alemdaimaginacao.com/

"Analisando-se os inúmeros relatos de incríveis e fantásticos fatos sobrenaturais que ocorrem pelo mundo, deixando as testemunhas de seus acontecimentos perplexas, o que poderemos esperar dessa misteriosa força do além ou de outras dimensões que agem em nosso mundo fazendo as leis da física e do equilíbrio do universo sem lógica alguma? "

O relato a seguir de mais um desses incríveis e inexplicáveis acontecimentos!

Saudações há quem lê essa narrativa.

Através do Fusca

Gostaria de me apresentar dizendo que sou uma pessoa de formação científica e, apesar de religioso, sou "um tanto" cético em relação às histórias “sobrenaturais” que me são contadas. Provavelmente eu seja assim em função de que, muitas vezes, esses causos são contados com o intuito de trazerem, de alguma forma, vantagens para quem conta. Isso, no entanto, não foi impeditivo para que eu me visse envolvido em muitos acontecimentos estranhos que, confesso, por vezes enfraquecem meu ceticismo.

A história que vou contar é bastante simples, sem grandes detalhes ou explicações, mas histórias reais não são sempre assim?

Tudo aconteceu na metade de uma manhã de um domingo quente, na histórica cidade de Viamão (Rio Grande do Sul), onde eu morava. Era 1991-92, então eu tinha nove ou dez anos.

Meu pai tinha um Volkswagen Fusca ’73, motor 1500 (o “Fuscão”), e íamos eu, ele e minha mãe para um churrasco na casa de um tio. Seguíamos pela extensão urbana da RS-040, chamada Avenida Senador Salgado Filho [Coordenadas GPS: Latitude / Longitude = 30° 4'44.00"S, 51° 6'21.90"W], no sentido Centro de Viamão para Porto Alegre.

Para quem conhece Viamão, passamos da Escola Marista Nossa Senhora das Graças com a intenção de, ao chegar em frente ao complexo onde funcionava o Seminário Maior (que reunia um seminário para formação de padres, um convento e uma faculdade), fazer o retorno e entrar nos bairros residenciais, onde morava meu tio.

Hoje aquela é uma região de grande movimento e amplo comércio, mas naquele tempo tudo era mais calmo, lá, e mesmo o trânsito, considerado pesado para a época, nem se comparava com o atual. Onde hoje há lojas, restaurantes e revendas automotivas, havia quase que somente casas antigas e terrenos baldios.

Vínhamos então pela estrada e, passando o posto da Polícia Rodoviária Estadual, meu pai acelerou o Fusca um pouco para subir uma pequena inclinação. Estávamos praticamente sós na estrada quando, passando em frente aos campos dos Irmãos Maristas (que existem até hoje, bem como a maioria das referências que citei), um pano branco se ergueu do asfalto, formando uma silhueta bastante estranha – quase como se houvesse um quadro ou uma caixa saindo do chão, por baixo dele – e, erguendo-se do chão, veio em direção ao carro.

Faço aqui uma pausa para explicar que o asfalto, na época, era bastante escuro e, se tratando de uma elevação leve, certamente teríamos visto algo que tinha quase o tamanho de um lençol, e branco como papel, no meio da avenida. Aquilo parecia sair do chão. E, se a narrativa passa uma idéia de pobreza de detalhes, explico que a coisa toda se deu em dois ou três segundos, se muito (quem já sofreu um acidente de carro, por exemplo, entenderá o que quero dizer: a narrativa é significativamente mais longa que o acontecido).

Retomando: aquilo vinha em direção ao carro num movimento errático, como uma sacola plástica carregada muito rápida pelo vento, salvo por três detalhes: era muito grande para ser uma sacola, era claramente um tecido leve e parecia estar envolvendo uma esfera do tamanho de uma bola de futebol de salão, já que a silhueta “quadrada” mudara.

Para impedir que o pano cobrisse totalmente o pára-brisa, meu pai deu uma guinada (que estava mais para uma finta) com o Fusca e, quando aquela coisa chegou ao vidro, atravessou-o como se não houvesse nada ali e passou por dentro de habitáculo, dando um susto em todo mundo e principalmente em mim, que vinha no banco de trás mas tinha o costume de sentar-me ao meio, para observar a estrada e os movimentos do motorista. Pois bem: somada a velocidade do carro e do pano, aquilo passou através do Fusca (entre os dois bancos da frente e desviando de mim num último instante) com um chiado muito estranho. Virei-me em tempo de ver aquilo voando rente ao chão, em sentido oposto: assim como passara pelo pára-brisa, não deixando qualquer marca, o mesmo ocorreu em relação ao pequeno vidro traseiro do valente carrinho.

Ficamos perguntando uns aos outros o que fora aquilo mas, com a proximidade do retorno na estrada e o claro entendimento que não iríamos esclarecer à questão, bem como o fato de que nenhum de nós (eu, meu pai, minha mãe ou o Fuscão) nada havíamos sofrido, deixamos o assunto de lado.

Acontece que hoje* vi um Fusca vermelho com os pára-lamas dianteiros em preto fosco, que era a configuração do automóvel do meu pai quando ele o comprou (pintando-o inteiramente de vermelho, depois) e, lembrando dele, lembrei desse dia e do estranho fato que até hoje não conseguimos ter explicação alguma.