Histórias dos nossos VWs - 35

 _
"Fusca no Atoleiro"
Autor:
Olimpio Rosso
História publicada no site http://jornaldacanastra.com.br/
 _

"Causos" de Bambuí: Fusca no atoleiro

Numa determinada ocasião eu (Olímpio Rosso) e o compadre Alvino visitávamos várias cidades do Centro Oeste de Minas e terminamos nosso trajeto em Bambuí onde pernoitaríamos.
Era mais uma oportunidade de rever o grande amigo Pe. Rafael.
Nem bem chegamos, ele já foi dizendo para guardar o carro porque queria que fôssemos com ele a umas comunidades rurais onde estavam programadas duas celebrações de Missas.

O tempo estava meio escuro e anunciava chuvas.
Mesmo assim não foi o motivo para cancelar os compromissos.
Saímos com o Pe. Rafael e D. Regina, uma senha idosa muito amiga do padre, isso por volta das quatorze horas, mais ou menos as quinze chegamos ao local e a chuva não parava.
A missa aconteceu às dezesseis horas e apesar da chuva tinha bom número de participantes.
Por isso foi celebrada numa varanda que tinha mais espaço.

Terminada a celebração ele marcou a próxima.
Depois vieram as despedidas com abraços, apertos de mãos calorosos daquele povo simples e hospitaleiro que realmente estimavam esse legítimo discípulo de São Vicente de Paulo.

De lá partimos para o outro compromisso, com chuva e tudo.
O velho fusca começou a patinar em alguns lugares, mesmo assim a alegria permanecia entre seus ocupantes. Tudo era motivo para achar graça mesmo com aquele barro e tudo. 
Teve momentos que foi preciso descer e empurrar o ‘possante’, mais a viagem continuava.

Claro que chegamos atrasados, já eram quase dezoito e trinta horas.
A chuva deu tempo parece que queria colaborar.
A missa foi celebrada, antes o Pe. Rafael, como costumeiramente fazia, atendeu confissões.
Após a missa fomos convidados para o jantar.
Conversa vai, conversa vem, a noite chegou e com ela a chuva voltou.

Tínhamos notado que a bateria do fusca não estava muito legal, mas mesmo assim seguimos a viagem de volta era mais ou menos vinte horas.

Foram muitas as vezes que empurramos o velho carro, a luz já estava enfraquecendo, de repente ele atolou até o eixo, isto bem próximo de uma casa.

Só nós, não éramos o suficiente para tirar o carro dali.
Apagamos a luz para tentar economizar o resto da carga da bateria.
Naquela escuridão Pe. Rafael disse:

-“Ainda bem que ali naquela casa deve ter alguém para nos ajudar!”.

Saímos em direção a casa praticamente sem enxergar nada, enquanto Dona Regina ficou no carro.
Foi aí que o padre gritou:

-“Ô de casa, tem alguém aí?”
Repetiu umas três vezes e nada!
De repente alguém abrindo lentamente a porta responde:
-“Quem é que está aí?”
-“Sou eu, o Padre Rafael.”
-“Espere um pouco.” Foi a resposta

Aí foi a surpresa. Uma luz de lampião acendeu e um senhor de idade avançada veio em nossa direção caminhando bem devagar. Numa das mãos ele trazia o lampião e na outra uma espingarda...
-“É o senhor, padre! Desculpa-me, mas estou só com a minha velha aqui em casa, e o senhor sabe, anda acontecendo tanta coisa! Por isso vim prevenido! Entre, vamos tomar um café.
Daqui a pouco meus netos vão chegar e irão lhe ajudar!”

Não demorou uns 15 minutos, chegaram dois rapazes e nos ajudaram a tirar o fusca do atoleiro.
Finalmente parou de chover, agradecemos e continuamos a viagem de retorno.

Detalhe: onde a estrada não tinha curva, Pe. Rafael a conhecia muito bem, ele desligava os faróis para economizar o resto da carga da bateria e assim chegamos a Bambuí com calçados e roupas totalmente embarreados.

*Causo retirado do livro: “O missionário de Deus no meio rural” de Olímpio Rosso

http://jornaldacanastra.com.br